
Rock Rec Festival faz uma grande festa para o rock brasileiro em Pernambuco
O Rock Rec Festival encerrou sua terceira edição, realizada no sábado (19), no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, com uma noite que conseguiu reunir diferentes gerações em torno do rock brasileiro. Ao longo de aproximadamente nove horas de programação, o público acompanhou apresentações de artistas consagrados e nomes da cena pernambucana, em uma proposta que combinou nostalgia, música ao vivo e valorização da produção local. Com Nação Zumbi, Biquini, Jota Quest, Capital Inicial, Charlie Brown Jr. e Camisa de Vênus entre as principais atrações, o festival apostou em um repertório capaz de atravessar décadas. A escolha ajudou a criar uma atmosfera de reencontro para quem acompanhou a trajetória dessas bandas, mas também abriu espaço para um público mais jovem conhecer ou se aproximar de músicas que marcaram diferentes períodos do rock nacional. Mais do que uma sequência de shows, o Rock Rec conseguiu construir uma identidade própria. A organização da Festa Cheia Produções foi um dos elementos que contribuíram para esse resultado, especialmente pela proposta de equilibrar artistas de grande projeção nacional com representantes da cena musical de Pernambuco. Uma noite para diferentes gerações O grande diferencial da programação esteve na variedade de estilos e gerações representadas. Quem tem o rock dos anos 1980 como referência encontrou nomes como Capital Inicial e Camisa de Vênus. Para quem viveu a força do pop rock brasileiro nas décadas seguintes, Biquini e Jota Quest trouxeram repertórios conhecidos pelo grande público. Já a presença de Charlie Brown Jr. dialogou diretamente com uma geração que cresceu ouvindo rock nos anos 1990 e 2000. A Nação Zumbi acrescentou ainda outra dimensão à programação. Com uma trajetória diretamente ligada à cultura pernambucana, a banda ajudou a conectar o festival à identidade musical do Estado. Essa mistura funcionou porque não colocou o público diante de uma única proposta sonora. Cada atração trouxe uma memória diferente, criando uma experiência coletiva marcada por músicas que atravessaram gerações. Foi possível perceber que o Rock Rec não depende exclusivamente da novidade para chamar atenção. O festival trabalha também com a força da memória afetiva, algo que continua tendo enorme importância na relação do público com a música. Biquini mantém conexão com o público Entre os momentos de destaque esteve a apresentação do Biquini. A banda, que participou das três edições do Rock Rec, já possui uma relação particular com o festival e voltou a encontrar um público familiarizado com seus principais sucessos. A presença de Bruno Gouveia no palco ajudou a manter a energia da apresentação, com interação constante com os fãs e um repertório que favoreceu a participação da plateia. O retorno do Biquini em todas as edições também mostra como alguns artistas começam a se tornar parte da própria história do Rock Rec. Esse tipo de vínculo é importante para um festival que busca se consolidar. Quando atrações passam a ser associadas ao evento, o público começa a criar expectativas e memórias próprias a cada edição. Pernambuco também ganhou protagonismo Se os grandes nomes nacionais foram responsáveis por atrair boa parte do público, a presença dos artistas pernambucanos ajudou a dar personalidade ao festival. O Palco Pernambuco recebeu Macfly, Bob Tayson, Anabela, Papaninfa, Zero Bronca, Vitraz e Fantasma, criando uma oportunidade para que artistas locais apresentassem seus trabalhos dentro de uma programação de grande alcance. A iniciativa merece atenção porque evita que um festival desse porte se limite aos nomes já conhecidos nacionalmente. Pernambuco possui uma história musical reconhecida em todo o Brasil e uma cena artística que continua produzindo novos trabalhos. Abrir espaço para esses artistas dentro do Rock Rec significa aproximar o público de diferentes gerações da produção que está acontecendo atualmente no Estado. Para os músicos locais, dividir a programação com bandas de projeção nacional também representa uma oportunidade de exposição e contato com novos públicos. Nesse aspecto, o festival conseguiu olhar para dois lados ao mesmo tempo: celebrar a história do rock brasileiro e criar espaço para quem está ajudando a construir seu futuro. A aposta da Festa Cheia Produzir um festival com várias atrações, diferentes palcos e horas de programação exige uma operação que vai muito além da contratação dos artistas. A Festa Cheia Produções apostou na continuidade do Rock Rec e, na terceira edição, apresentou um evento que já demonstra características de um projeto consolidado. Um dos pontos positivos da proposta é justamente não tentar transformar o festival em algo que ele não é. O Rock Rec assume sua vocação de celebração do rock, valoriza repertórios conhecidos e aposta na força das apresentações ao vivo. Essa clareza ajuda o público a entender o que encontrará no evento. A programação também demonstra uma preocupação em criar variedade ao longo da noite. Em vez de concentrar atrações semelhantes em uma única sequência, o festival promoveu uma alternância entre diferentes estilos e gerações. O resultado foi uma experiência que permitiu ao público escolher seus momentos favoritos, cantar junto com artistas conhecidos e, ao mesmo tempo, descobrir nomes menos familiares. Um festival que começa a construir sua história Chegar à terceira edição é um momento significativo para qualquer evento. O primeiro ano costuma ser marcado pela curiosidade. No segundo, existe a expectativa sobre a continuidade. A partir da terceira edição, começa a surgir algo diferente: a possibilidade de criar tradição. O Rock Rec já apresenta alguns sinais desse processo. A repetição de atrações, a presença de artistas locais e a escolha de um espaço capaz de receber uma programação de grande porte ajudam a construir uma identidade reconhecível. O próprio Biquini, presente nas três edições, representa essa continuidade. Outro elemento importante é a escolha do Centro de Convenções de Pernambuco como espaço para o festival. Localizado entre Recife e Olinda, o complexo permite receber um público amplo e oferece ao evento uma estrutura compatível com sua proposta. O público ainda quer ouvir rock A terceira edição também deixa uma mensagem importante sobre o comportamento do público: existe espaço para grandes eventos dedicados ao rock. Em meio a uma indústria musical cada vez mais diversificada, com


